Nordeste se destaca na indústria de móveis, impulsionando marcas de alta qualidade e produção local

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(Imagem: Divulgação)

Atualmente, a indústria de móveis no Nordeste brasileiro vive um período marcante em sua trajetória recente. Com o suporte do crescimento no setor da construção civil, o aumento do turismo, a valorização do mercado imobiliário e uma mudança demográfica que está atraindo novos residentes para a região, essa indústria se torna cada vez mais essencial para a economia local.

Os dados disponíveis evidenciam essa evolução. Um estudo do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI) aponta que a produção de móveis na Paraíba cresceu 205% entre 2019 e 2024, sendo esse o maior aumento registrado no Nordeste e superando em mais de 13 vezes a média regional, que foi de apenas 15,7% nesse mesmo intervalo. Além disso, o estado foi o líder nacional em consumo de móveis e colchões, com um crescimento de 11,2%, enquanto a média no Brasil ficou em 5,8%.

Marcelo Prado, sócio-diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, destaca que as informações econômicas e as análises setoriais recentes validam esse fenômeno de amadurecimento e descentralização comercial.

“A evolução no Nordeste é clara tanto na produção quanto no consumo de móveis. Observamos uma união entre o crescimento econômico regional, a expansão do mercado imobiliário e um fortalecimento da capacidade produtiva local. A Paraíba se destaca como um ator importante dentro da cadeia moveleira do país”, afirma.

A população da região também continua em ascensão. De acordo com dados do IBGE, João Pessoa tinha 833.932 habitantes no Censo de 2022, representando um crescimento de 15,26% desde 2010 e posicionando-se como a capital nordestina com maior crescimento proporcional nesse período. As previsões para 2025 indicam uma população próxima dos 898 mil habitantes. No total, o estado da Paraíba conta com aproximadamente 4,16 milhões de habitantes.

Esse aumento populacional está diretamente relacionado ao aquecimento do mercado imobiliário local. Informações consolidadas do Índice Creci 360° revelam um aumento acumulado de 87,5% nas vendas de unidades habitacionais em João Pessoa e Cabedelo durante o ano de 2025.

Segundo Marcelo Prado, o crescimento demográfico aliado ao ritmo acelerado das construtoras e à chegada de novos moradores com maior poder aquisitivo cria um cenário favorável para os fabricantes de móveis e itens decorativos.

“João Pessoa é um caso particularmente notável por reunir diversos fatores que impactam diretamente o setor. O crescimento populacional acima da média nacional, a intensa expansão imobiliária e a atração crescente de novos moradores refletem uma busca por qualidade de vida que gera demanda por imóveis e mobiliário”, explica.

Foco local e atração de investimentos

De acordo com Adeilton Pereira, vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (ABIMÓVEL) e sócio-diretor do Grupo OFFICINA, o avanço das indústrias moveleiras locais demonstra uma economia muito mais robusta.

“O crescimento expressivo na produção moveleira na Paraíba é resultado do desenvolvimento das indústrias locais impulsionado pelo turismo e pela construção civil no estado em geral, especialmente em João Pessoa”, analisa Pereira.

Ele ressalta que a superação de antigos estigmas geográficos permitiu uma visão mais realista sobre a competitividade regional, atraindo investidores interessados na diversificação econômica e na sustentabilidade de novos empreendimentos comerciais.

“Atualmente observamos uma inversão: pessoas dos grandes centros urbanos buscam qualidade de vida no Nordeste. Muitos estão se aposentando ou buscando tranquilidade; além disso, há os nômades digitais que atuam em grandes mercados”, comenta Adeilton Pereira.

Mercado imobiliário impulsionado por turismo e investimentos

A expansão do setor imobiliário na Paraíba acompanha um ciclo histórico significativo nos investimentos turísticos. Dados da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep) posicionam o Polo Turístico Cabo Branco como um centro transformador inédito na região nordestina, concentrando importantes projetos em desenvolvimento no Brasil.

“O Polo Turístico Cabo Branco é singular no Nordeste. Além das belezas naturais como sol e mar, está cercado pela maior reserva da Mata Atlântica na Paraíba. O Centro de Convenções é o maior da região e já conta com 15 mil leitos disponíveis além de quatro parques temáticos licenciados”, afirma Rômulo Polari, presidente da Cinep, durante evento realizado em Lisboa.

Essa movimentação eleva a demanda por mobiliário e fortalece a indústria local que agora atende uma parcela crescente dos novos empreendimentos residenciais, hoteleiros e corporativos na região nordestina.

Para Cândida Cervieri, diretora-executiva da ABIMÓVEL, fortalecer os centros regionais é uma estratégia vital para reduzir custos logísticos e aprimorar operações das empresas locais.

“Móveis e colchões são produtos volumosos com custos logísticos significativos. A presença desses polos regionais no Nordeste explica parte do desenvolvimento dessa área e aumenta sua competitividade no mercado brasileiro”, conclui Cervieri.

Mudanças nas preferências dos consumidores

O crescimento econômico está acompanhado por alterações importantes nas preferências dos consumidores. Cândida Cervieri observa que as novas configurações dos lares modernos devido ao trabalho híbrido mudaram consideravelmente a relação das pessoas com os móveis.

“Em espaços menores ou multifuncionais, os móveis ganham destaque ao organizar a vida cotidiana dentro dos lares. Isso transforma parte das decisões de compra numa lógica que prioriza projeto, valor agregado e experiência”, explica ela.

Ela acrescenta que hoje há uma valorização crescente da identidade local dentro do design brasileiro contemporâneo: “Hoje se percebe que identidade regional pode ser moderna, elegante funcionalmente competitiva. A estética nordestina dialoga bem com as tendências atuais porque emerge diretamente do território cultural local.”

Indústria local investe em tecnologia

O fortalecimento da indústria na Paraíba tem sido acompanhado por investimentos significativos em tecnologia e automação nos processos produtivos.

Adeilton Pereira destaca que as relações comerciais entre grandes construtoras e fábricas locais eliminaram antigas dependências logísticas distantes aumentando assim a agilidade nas entregas dos projetos.

“Atualmente temos uma cadeia produtiva adaptada às necessidades locais voltadas para atender demandas específicas das grandes construtoras. Anteriormente eles contavam apenas com fornecedores distantes; hoje há proximidade constante permitindo adaptações rápidas”, afirma ele.

Esse cenário favorece ainda mais indústrias especializadas em soluções sob medida capazes de atender diversas áreas como lojas parceiras ou empreendimentos corporativos. Um exemplo é a ESSANTO – fabricante nordestina que oferece soluções personalizadas para hotéis ou hospitais utilizando escala industrial aliada à tecnologia avançada para atender diferentes perfis clientes.”

“A ESSANTO começou sua trajetória na Paraíba mas já atua em oito estados nordestinos com planos para expandir ainda mais rapidamente. Nossa operação se dá tanto através parceiros comerciais quanto atendendo diretamente grandes empreendimentos. Possuímos experiência tecnológica logística facilitada pela nossa localização regional; precisamos apenas mostrar ao mercado nossa capacidade produtiva”, conclui a empresa.

Tendências industriais emergentes

O crescimento industrial ganha suporte por meio indicadores positivos no mercado. Guilherme Brito diretor administrativo da Móveis São Carlos localizada em Pernambuco analisa essa atmosfera favorável aos novos investimentos destacando suas implicações sociais positivas ao gerar empregos transformadores nas dinâmicas locais tradicionais.”

Para manter relevância nesse cenário competitivo torna-se vital flexibilidade fabril possibilitando rápida adaptação às mudanças estéticas comportamentais requeridas pelo público consumidor atual.” Brito observa que acompanhar essa evolução estética permite suprir novas demandas além fortalecer ainda mais indústria regional.”

“Analisamos nosso mix produtos constantemente buscando lacunas deixadas pelo consumidor eliminando gaps existentes tendências vão surgindo cada vez mais interessantes: consumidores agora adquirindo formas arredondadas após períodos onde predominavam linhas retas participarmos dessa evolução nordestina fundamental futuro indústrias nacionais.” enfatiza ele.”

Design regional enfrenta desafios mas avança

O fortalecimento criativo nordestino acontece apesar desafios estruturais enfrentados atualmente setor onde complexidades operacionais exigem resiliência empresarial segundo Roberta Mandelli sócia representando Tidelli Outdoor Living Bahia.”

“Apesar dificuldades enfrentadas Nordeste apresenta design regional conquistando espaço tanto nacional quanto internacionalmente devido autoconsumo estimulada urbanização turismo crescente demanda proporcionalmente crescendo mercado imobiliário,” pontua Roberta.”

A empresária identifica guinada significativa comportamento público comprador valorizando ancestralidade exclusividade composição ambientes atendendo exigências refinamento customização requerendo monitoramento contínuo tendências globais nacionais.”

“Grande tendência decoração atual resgatar valores tradição memórias afetivas gerando aumento consumo regional valorização produtos artesanais materiais naturais acompanhamos rigorosamente pesquisas comportamento sempre observando porque prezamos design qualidade tendências,” conclui ela.”

Desafio percepção industrial

Embora avanços sejam reconhecidos setor ainda enfrenta desafio estabelecer percepção nacional capacidade industrial nordestina Adeilton Pereira avalia automação certificações qualidade acabamentos atuais fabricas não ficam atrás centros tradicionais Sul Sudeste.”

“Nordeste sempre teve identidade forte porém agora expomos esta identidade globalmente mostrando potencial produtores eventos internacionais demonstramos capacidade igual qualquer polo produtor,” defende Adeilton.”

Ele acredita marcas líderes próximas décadas devem adotar posturas humanizadas focadas governança socioambiental bem-estar profissionais parceiros clientes.”

“Nosso objetivo evoluir continuamente atendendo novas exigências superando expectativas entregas padrões altos,” enfatiza ele.”

Adeilton considera crucial superar visões ultrapassadas divulgar maturidade fabril nordestina momento atual setor.“ Produção temos agora precisamos mostrar mercado mudança estrutura tecnologia competitividade atendendo demanda excelência,” defende ele.”

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