Edson José Bandeira Braga Filho reflete sobre a diferença entre a identidade que construímos e quem realmente somos

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Para Edson Braga, maturidade pode começar quando deixamos de sustentar permanentemente personagens criados para vencer, liderar e ser aceitos e passamos a compreender quem existe por trás dos cargos, conquistas e expectativas

Ao longo da vida, muitas pessoas dedicam grande parte de sua energia à construção de uma identidade.

O empresário.

O líder.

O pai.

O profissional bem-sucedido.

A pessoa forte.

Aquele que encontra soluções.

Aquele que parece sempre saber o que fazer.

Esses papéis possuem importância e fazem parte da maneira como cada indivíduo ocupa seu lugar no mundo. O problema surge quando aquilo que inicialmente era apenas uma função passa a ser confundido com a própria identidade.

Essa é a reflexão apresentada por Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, ao analisar a relação entre maturidade, sucesso, autoconhecimento e a imagem que construímos de nós mesmos ao longo dos anos.

Para Edson, existe uma fase da vida em que crescer significa adicionar.

Mais conhecimento.

Mais patrimônio.

Mais reconhecimento.

Mais experiências.

Mais resultados.

Mais responsabilidades.

Com o amadurecimento, porém, talvez comece um movimento diferente.

Em vez de acrescentar, passa a ser necessário retirar.

Retirar máscaras.

Certezas excessivas.

Necessidades de aprovação.

Defesas.

E algumas versões construídas ao longo da trajetória para conseguir sobreviver, ser respeitado ou corresponder às expectativas dos outros.

A identidade que construímos também pode se transformar em prisão

Para Edson Braga, todas as pessoas desenvolvem maneiras específicas de existir no mundo.

Um empresário aprende a tomar decisões.

Um pai assume responsabilidades.

Um líder precisa demonstrar direção.

Um profissional constrói uma reputação.

Nada disso representa um problema por si só.

A dificuldade aparece quando a pessoa passa a acreditar que somente pode existir daquela maneira.

Nesse momento, o líder sente que precisa saber todas as respostas.

Quem construiu uma imagem de força começa a acreditar que nunca pode demonstrar fragilidade.

Quem sempre resolveu problemas passa a sentir que pedir ajuda representa fracasso.

Quem venceu durante muitos anos acredita que precisa continuar vencendo para preservar a própria identidade.

Segundo Edson José Bandeira Braga Filho, essa pode ser uma das prisões mais sofisticadas da vida: tornar-se dependente da imagem que os outros aprenderam a reconhecer.

A pessoa deixa de perguntar apenas o que realmente deseja fazer e começa a considerar permanentemente aquilo que seria esperado de alguém como ela.

Sustentar um personagem também consome energia

Quando uma identidade precisa ser permanentemente defendida, parte significativa da energia passa a ser utilizada para preservá-la.

É preciso parecer seguro.

Demonstrar força.

Manter convicção.

Sustentar resultados.

Evitar que outras pessoas percebam dúvidas.

Em alguns casos, a preocupação em manter determinada imagem se torna maior do que a liberdade para viver de maneira verdadeira.

Para Edson Braga, chega então uma pergunta importante:

A decisão está sendo tomada porque realmente parece correta ou porque corresponde à imagem que alguém construiu de si mesmo?

A diferença pode ser difícil de perceber.

Especialmente depois que determinado papel foi exercido durante décadas.

Aquilo que escondemos continua existindo

Existe também outra dimensão dessa construção.

Por trás da imagem pública permanecem emoções que nem sempre encontram espaço para aparecer.

Medos.

Inseguranças.

Raiva.

Dúvidas.

Fragilidades.

Inveja.

Contradições.

Desejos que não combinam perfeitamente com aquilo que alguém acredita precisar demonstrar.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, esconder essas características não faz com que desapareçam.

Elas podem continuar se manifestando de maneiras indiretas.

Em uma reação desproporcional.

Na necessidade constante de vencer.

Na dificuldade de ouvir críticas.

Na resistência em pedir desculpas.

Na tentativa de controlar tudo.

Na dependência de reconhecimento.

Ou até na irritação provocada por características de outras pessoas que, de alguma maneira, lembram aquilo que alguém ainda não conseguiu aceitar em si mesmo.

Nesse sentido, algumas batalhas aparentemente travadas contra o mundo podem possuir origem interna.

As características que produziram sucesso também podem aprisionar

Um dos paradoxos observados por Edson Braga é que determinadas características fundamentais para o sucesso podem, com o passar dos anos, começar a produzir sofrimento.

A ambição que impulsionou uma trajetória pode se transformar na incapacidade de considerar qualquer resultado suficiente.

A força que permitiu atravessar dificuldades pode tornar difícil pedir ajuda.

A independência pode virar isolamento.

Autoconfiança excessiva pode se aproximar da arrogância.

A capacidade de tomar decisões pode evoluir para necessidade de controlar tudo.

Disciplina pode se tornar rigidez.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, isso demonstra que até as virtudes precisam continuar amadurecendo.

Uma característica positiva levada ao extremo, sem consciência, pode começar a trabalhar contra quem inicialmente se beneficiou dela.

A questão passa a ser como preservar a força sem permanecer permanentemente dentro da armadura criada para sobreviver.

Quem somos quando ninguém precisa de nós?

Existe uma pergunta que pode ser particularmente difícil para quem passou décadas construindo, liderando e solucionando problemas:

Quem sou quando ninguém precisa de mim?

Sem uma empresa para comandar.

Sem uma negociação para conduzir.

Sem um problema urgente para resolver.

Sem alguém aguardando uma resposta.

Sem uma decisão importante para tomar.

Sem uma meta para alcançar.

Para Edson Braga, o silêncio pode se tornar desconfortável justamente porque nele desaparecem temporariamente muitas das referências utilizadas para explicar quem somos.

Talvez parte da ocupação constante encontrada na sociedade contemporânea não seja apenas consequência da produtividade.

Em alguns casos, estar permanentemente ocupado também pode evitar um encontro mais profundo consigo mesmo.

O silêncio não se impressiona com cargo.

Não pergunta faturamento.

Não conhece patrimônio.

Não considera reputação.

Quando todas essas referências desaparecem, resta uma pergunta mais elementar sobre identidade.

Liberdade também pode signific não precisar parecer

Dinheiro, autonomia e tempo são normalmente associados à liberdade.

E realmente podem ampliá-la.

Mas Edson José Bandeira Braga Filho considera que existe outra forma de liberdade, possivelmente mais difícil de conquistar.

A liberdade de não precisar permanentemente parecer alguma coisa.

Ter um cargo sem acreditar que é apenas aquele cargo.

Possuir patrimônio sem utilizar patrimônio como definição pessoal.

Construir uma empresa sem transformar a empresa na própria identidade.

Receber admiração sem depender dela.

Ser forte e continuar capaz de demonstrar vulnerabilidade.

Possuir convicções e, ainda assim, aceitar que outra pessoa possa estar certa.

Nesse estágio, algumas frases aparentemente simples passam a representar demonstrações de força:

“Não sei.”

“Errei.”

“Preciso de ajuda.”

“Mudei de opinião.”

“Estou com medo.”

Para Edson Braga, talvez determinadas demonstrações de vulnerabilidade exijam mais coragem do que muitas manifestações tradicionais de poder.

Quem sobra quando retiramos aquilo que conquistamos?

Durante a vida profissional, somos constantemente apresentados por aquilo que fazemos.

Qual é a empresa?

Qual é o cargo?

Onde chegou?

O que construiu?

Quais foram as conquistas?

Quanto patrimônio acumulou?

Todas essas informações podem contar uma parte importante da história.

Mas não respondem completamente à pergunta sobre quem uma pessoa é.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, existe outra questão:

Quem sobra quando retiramos aquilo que normalmente utilizamos para explicar nossa identidade?

Sem patrimônio.

Sem cargo.

Sem reconhecimento.

Sem vitórias.

Sem fracassos.

Sem expectativas externas.

Sem necessidade de provar valor.

A resposta talvez não seja imediata.

E justamente por isso a pergunta possui importância.

Existe uma diferença entre construir uma vida admirada por outras pessoas e conseguir habitar essa vida com autenticidade.

Maturidade não exige destruir aquilo que construímos

A reflexão de Edson Braga não propõe abandonar conquistas, ambição ou identidade profissional.

Também não significa rejeitar o ego ou desconsiderar a importância da força.

É possível continuar desejando crescimento.

Construindo empresas.

Buscando resultados.

Assumindo liderança.

A diferença está em não utilizar tudo isso como única fonte de valor pessoal.

É possível continuar sendo forte e reconhecer fragilidades.

Liderar sem controlar absolutamente tudo.

Crescer sem fugir das próprias contradições.

Para Edson, maturidade talvez não signifique eliminar partes desconfortáveis de nós mesmos.

Pode representar integrá-las.

Reconhecer força e medo.

Coragem e insegurança.

Ambição e vulnerabilidade.

Luz e sombra.

E compreender que todas essas características fazem parte de uma mesma pessoa, mas nenhuma delas, isoladamente, precisa definir sua identidade inteira.

Existe também uma construção para dentro

Durante boa parte da trajetória, o esforço costuma estar concentrado nas construções externas.

Empresa.

Família.

Patrimônio.

Carreira.

Reputação.

Projetos.

Legado.

Mas Edson José Bandeira Braga Filho considera que, em determinado momento, pode começar uma segunda construção.

Mais silenciosa.

Uma construção voltada para dentro.

Nela, talvez não seja necessário acrescentar novos títulos.

O desafio pode estar justamente em retirar camadas acumuladas durante anos.

Passamos muito tempo construindo a pessoa que acreditávamos precisar ser.

A maturidade pode iniciar uma investigação diferente:

Quanto dessa pessoa realmente somos?

A liberdade de integrar quem sempre esteve ali

Para Edson Braga, descobrir quem existe por trás do personagem não significa destruir o homem construído ao longo da vida.

Significa compreendê-lo.

Reconhecer por que determinadas defesas surgiram.

Por que foi necessário parecer forte.

Por que determinadas conquistas ganharam tanta importância.

Por que reconhecimento parecia indispensável.

Esse processo pode revelar que muitas dessas características tiveram utilidade.

Ajudaram a atravessar dificuldades.

Produziram resultados.

Protegeram em determinados momentos.

Mas algo que foi necessário em uma fase não precisa continuar governando toda a trajetória.

Talvez amadurecer seja possuir liberdade suficiente para agradecer à armadura pelo que ela protegeu e, ainda assim, perceber que já não é necessário utilizá-la o tempo inteiro.

Quanto de nós precisou ser escondido?

No final, Edson José Bandeira Braga Filho propõe duas perguntas especialmente difíceis.

A primeira:

Quanto de mim precisei esconder para me tornar quem sou?

E a segunda:

Quanto de mim ainda preciso esconder para continuar sendo quem os outros esperam que eu seja?

As respostas podem revelar a distância entre identidade e imagem.

Entre aquilo que alguém construiu para funcionar no mundo e aquilo que realmente existe por trás dessa construção.

Para Edson Braga, talvez uma das transformações mais profundas da maturidade não esteja em inventar uma nova versão de si mesmo.

Pode estar em parar de fugir das versões que sempre estiveram presentes.

Continuar construindo.

Continuar crescendo.

Continuar liderando.

Mas fazer isso com menos necessidade de demonstrar e mais liberdade para simplesmente ser.

Talvez seja justamente nesse espaço entre o homem que construímos para enfrentar o mundo e o homem que existe quando não precisamos provar mais nada que comece uma forma diferente — e mais profunda — de liberdade.

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