Nesta quarta-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para os Estados Unidos, onde se reunirá com Donald Trump na quinta-feira (7). A agenda da reunião terá como foco principal o aumento das tarifas, bem como o combate ao crime organizado, que é um tema de grande relevância política atualmente. Além desses assuntos, a pauta bilateral deverá contemplar questões relacionadas a minerais críticos e terras raras.
Durante uma das conversas entre os dois líderes, Lula enfatizou a importância da segurança pública. Após a ligação, o governo brasileiro enviou à Casa Branca um documento propondo formas de cooperação no enfrentamento do crime organizado, e já recebeu um retorno das autoridades americanas. O material está sendo examinado pelo Brasil e servirá como base para as discussões em uma futura reunião.
Conforme informações obtidas, o presidente brasileiro decidiu dar prioridade à segurança pública por dois motivos principais:
- Relevância política e eleitoral: a questão da segurança tem impacto significativo no cenário interno e também é um tema que ressoa com Trump. Uma parceria visível entre Brasil e Estados Unidos pode ajudar a mitigar a atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos EUA e diminuir os riscos de interferência externa nas eleições brasileiras;
- Proatividade geopolítica: estabelecer uma colaboração nesse campo é visto como uma maneira de se antecipar a possíveis ações dos Estados Unidos na América do Sul sob pretexto de combate ao tráfico de drogas, como já ocorreu em outros países da região.
Foco no PCC e CV não deve ser prioridade
A possibilidade de que os Estados Unidos venham a classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas não deve ser um ponto central nas conversas entre Lula e Trump neste momento.
Informações indicam que o Brasil está atento ao assunto, mas acredita que não haverá avanços imediatos nessa questão.
Dentro do governo americano, as discussões sobre a reclassificação dessas facções ganharam destaque no início deste ano. O Departamento de Estado argumenta que “as organizações criminosas brasileiras, incluindo o PCC e o Comando Vermelho, representam ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”.
Terras raras e posição brasileira
O governo brasileiro não planeja iniciar discussões sobre terras raras, mas aguarda que Trump aborde o tema — considerando que minerais críticos são uma prioridade estratégica para os EUA.
Se esse assunto surgir, a diplomacia brasileira já tem um documento preparado. Embora não constitua uma proposta formal, ele delineia as diretrizes do Brasil para esse setor, focando em dois aspectos principais:
- Não haverá exclusividade na exploração;
- O processamento dos minerais deverá ser realizado em território nacional.
O Palácio do Planalto está atento às movimentações dos Estados Unidos em Goiás e às ações do ex-governador Ronaldo Caiado em relação às terras raras. Apesar de considerar juridicamente inválidos possíveis acordos locais com os EUA, o governo brasileiro enxerga essa iniciativa como um movimento diplomático delicado.
Outro aspecto importante é a venda da mineradora Serra Verde para a empresa americana USA Rare Earth em uma transação bilionária que reacendeu as discussões sobre soberania e controle sobre recursos estratégicos.
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