Um surto suspeito de hantavírus resultou na morte de três pessoas e deixou pelo menos outras três enfermas a bordo do cruzeiro de luxo M/V Hondius, que navega sob bandeira holandesa. O navio partiu de Ushuaia, na Argentina, e se dirigia a Cabo Verde, um arquipélago localizado na costa oeste da África, no Oceano Atlântico.
Dentre os falecidos, encontram-se um casal holandês, com idades de 70 e 69 anos, além de um homem alemão. A embarcação transportava aproximadamente 150 turistas de várias nacionalidades, incluindo cidadãos espanhóis, britânicos e americanos. Após a confirmação do surto viral, o navio permanece ancorado próximo à costa de Cabo Verde sem permissão para atracar ou desembarcar passageiros.
O que é o hantavírus e como ocorre a transmissão?
O hantavírus abrange uma série de vírus que podem provocar duas condições patológicas: uma que afeta os pulmões e outra que prejudica os rins. A forma respiratória do vírus é mais prevalente nas Américas do Norte e do Sul e apresenta uma taxa de mortalidade elevada, em torno de 40%, considerada alarmante.
A principal forma de transmissão ocorre por meio de roedores; no entanto, os casos em que há contágio entre humanos são raros, conforme informações da OMS (Organização Mundial da Saúde).
A infecção normalmente se dá quando partículas do vírus presentes nas fezes, urina ou saliva dos roedores se dispersam pelo ar. Isso costuma ocorrer durante a limpeza em áreas onde roedores estiveram ativos.
Segundo a revista médica The Lancet, o hantavírus recebeu seu nome devido à região do rio Hantan na Coreia do Sul, onde foi identificado pela primeira vez nos anos 1970.
Sintomas e tratamento do hantavírus
Os primeiros sinais da infecção por hantavírus geralmente assemelham-se aos sintomas gripais, como febre e cansaço. Esses sintomas podem aparecer entre uma a oito semanas após a exposição ao vírus, conforme orientações do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA).
Após um período que varia entre quatro a dez dias, os sintomas podem se agravar, manifestando-se como tosse intensa, dificuldade para respirar e acúmulo de fluídos nos pulmões. Nas fases iniciais da doença, o diagnóstico pode ser complicado — especialmente nas primeiras 72 horas — levando à confusão com uma gripe comum.
Atualmente não existe um tratamento específico para a infecção por hantavírus. O manejo é focado em cuidados paliativos que visam repouso e hidratação. Em situações mais graves, pode ser necessária assistência respiratória, como ventilação mecânica.
Medidas preventivas
Especialistas indicam que a melhor maneira de evitar a exposição ao hantavírus é controlar a presença de roedores em ambientes frequentados por seres humanos. Isso envolve tomar medidas para impedir a entrada desses animais e eliminá-los quando se tornarem um problema.
Além disso, deve-se ter cuidado ao limpar locais potencialmente contaminados. Evitar varrer ou aspirar fezes secas dos roedores é fundamental para não levantar partículas no ar que possam propagar o vírus.
Posicionamento da OMS sobre o surto atual
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que sua principal teoria sugere que o casal falecido tenha contraído o vírus antes de embarcar no navio na Argentina, possivelmente durante atividades externas como observação de aves. Já a transmissão entre indivíduos pode ter ocorrido dentro da embarcação.
O foco da OMS agora é evacuar os dois passageiros ainda enfermos que permanecem no navio com destino à Holanda. Posteriormente, está previsto que o cruzeiro siga rumo às Ilhas Canárias. A organização enfatiza que a contaminação entre pessoas é incomum e considera baixo o risco para a população em geral.
“Acreditamos que possa haver algum tipo de transmissão entre indivíduos muito próximos — como casais ou pessoas que compartilham cabines”, comentou Maria Van Kerkhove, diretora responsável pela preparação e prevenção de epidemias na OMS, durante coletiva em Genebra, Suíça.
“Alguns passageiros eram casais dividindo quartos, o que implica em um contato bem próximo”, complementou Van Kerkhove.
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