Enquanto o mundo volta seu olhar para o Oriente Médio, a Ucrânia intensifica sua guerra assimétrica, direcionando ataques à infraestrutura do adversário e levando os confrontos para o mar, uma tática que não era utilizada há bastante tempo.
Nos primeiros nove dias deste mês, 116 embarcações, incluindo graneleiros e petroleiros ligados de alguma forma ao rival, foram atacadas no mar de Azov, uma extensão do mar Negro sob controle total de Moscou.
Na madrugada desta terça-feira (14), a liderança das forças de drones da Ucrânia anunciou ter atingido 11 navios. Embora não haja registros de fatalidades ou perda total das embarcações, os efeitos começaram a ser sentidos desde o último fim de semana.
Exportadores de grãos provenientes do sul da Rússia informaram à imprensa que as operações na área estão limitadas, impactando também a chegada de insumos. O Ministério da Agricultura russo confirmou a situação nesta terça e afirmou que está redirecionando a produção para outras localidades.
“Devido à significativa capacidade de carga agrícola em diversas regiões, a logística será ajustada conforme necessário”, declarou o ministério em comunicado, enfatizando que não há risco imediato de desabastecimento. O chanceler Serguei Lavrov caracterizou as ações ucranianas como “uma campanha terrorista”.
Os ucranianos têm obtido êxito em suas operações com mísseis e drones contra refinarias russas, resultando em escassez de combustível em várias áreas da Rússia, um fator prejudicial à popularidade do presidente Vladimir Putin.
Nesta terça-feira, Kiev informou ter atacado duas refinarias no sul da Rússia. Como resposta, o governo russo implementou uma série de medidas, incluindo a reestruturação da rede de fornecimento dos derivados e a suspensão das exportações de óleo diesel, além da anunciada importação incomum de gasolina.
Dados recentes do serviço estatístico russo indicam que atualmente a capacidade de abastecimento à população se encontra em 70% do normal.
Esse cenário provocou um aumento nas ofensivas aéreas do Kremlin contra Kiev e outras cidades ucranianas. O foco renovado no mar Negro também chamou atenção; desde domingo (12), ocorreram dois grandes ataques na área do principal porto ucraniano, Odessa.
Nesta terça-feira, uma embarcação civil foi atingida na região, sem deixar feridos. No dia anterior, a maior exportadora de grãos do país invadido em 2022 anunciou a suspensão dos embarques devido a uma operação contra o terminal de Tchornomorsk.
Simultaneamente, Moscou continuou com o que Putin descreveu como “pressão constante” sobre seus adversários com mais uma noite de bombardeios em Kiev. Embora não tenham sido tão intensos quanto os registrados nas semanas anteriores, os ataques deixaram dez pessoas feridas na capital e arredores.
Conforme informações do monitoramento da ONU sobre direitos humanos na Ucrânia, junho registrou o maior número de civis mortos desde abril de 2022. Ao menos 274 civis perderam a vida e 1.763 ficaram feridos nesse período.
Ainda nesta terça-feira, Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que a proposta europeia para garantir segurança à Ucrânia após um eventual término da guerra sem participação russa é inviável.
Ele reiterou a posição diplomática russa ressaltando que é essencial que o país invasor faça parte do sistema para evitar novos ataques aos ucranianos. Essa argumentação contraria práticas anteriores e visa reforçar que Putin não aceitará uma força internacional como mediadora no conflito.
No dia anterior, um grupo de nações aliadas à Ucrânia se reuniu em Paris para discutir exercícios militares conjuntos com Kiev em países vizinhos; essa movimentação é vista por Moscou como um prelúdio para a formação de uma força pacificadora.
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