Estudo revela que vulcão na Grécia permanece ativo após um século sem erupções

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(Reprodução/Instagram)

O vulcão Methana, situado a menos de 60 quilômetros de Atenas, na Grécia, foi considerado inativo por mais de 100 mil anos. No entanto, ele se tornou um foco de interesse para cientistas que buscam compreender como os sistemas vulcânicos conseguem se manter ativos mesmo após longos períodos sem apresentar erupções.

Um artigo publicado na revista científica Science Advances, elaborado por pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, revela que, mesmo sem atividade visível na superfície, grandes quantidades de magma continuaram a ser acumuladas nas profundezas do vulcão durante esse intervalo extenso.

Esse achado desafia a noção comum de que longos períodos sem erupções significam que um vulcão está extinto ou não representa mais riscos. Os especialistas afirmam que, em certas situações, o silêncio pode indicar o oposto: a formação gradual de vastos reservatórios de magma no interior da Terra.

Para traçar uma linha do tempo de aproximadamente 700 mil anos da evolução geológica do Methana, a equipe analisou mais de 1.250 cristais de zircão encontrados em rochas vulcânicas. Esses minerais atuam como registros naturais, preservando dados sobre a formação e desenvolvimento do magma ao longo dos séculos.

Os dados obtidos indicam que o vulcão passou por diferentes ciclos eruptivos. O primeiro ciclo foi concluído há cerca de 280 mil anos e, em seguida, Methana entrou em uma fase aparentemente inativa que durou mais de um século milenar. A reativação do vulcão ocorreu há cerca de 168 mil anos.

Entretanto, a análise dos cristais mostrou que durante essa longa fase sem erupções houve uma intensa formação de magma sob a crosta terrestre. Em vez de cessar suas atividades, o sistema vulcânico seguiu crescendo silenciosamente em profundidade.

Os pesquisadores sugerem que essa dinâmica pode estar relacionada à grande quantidade de água presente no magma responsável pela atividade do vulcão. O estudo aponta que materiais advindos de uma placa tectônica em subducção, incluindo água e sedimentos marinhos, contribuíram para a produção contínua de magma.

O magma altamente hidratado tende a aumentar sua viscosidade ao subir, dificultando sua chegada à superfície e favorecendo seu armazenamento em grandes reservatórios subterrâneos.

Os autores do estudo indicam que o fenômeno observado no Methana pode não ser único. Outros vulcões localizados em zonas de subducção — como aqueles encontrados na Grécia, Japão, Indonésia, Filipinas e partes das Américas — podem exibir comportamentos semelhantes.

Além das implicações para o entendimento da atividade vulcânica, essa pesquisa também serve como um alerta para as autoridades responsáveis pelo monitoramento geológico. Os cientistas recomendam uma reavaliação dos vulcões considerados inativos há milhares de anos, especialmente aqueles com sinais indicadores de atividade subterrânea.

Apesar da ausência de erupções, o acúmulo contínuo de magma pode causar fenômenos como terremotos, deformações terrestres e alterações gravitacionais e emissões gasosas detectáveis por equipamentos modernos. Para os pesquisadores, esses sinais requerem atenção constante, pois longos períodos sem atividade não significam necessariamente ausência de risco.

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