Irã intensifica recrutamento infantil e expande abusos durante o conflito

0 0

Michael Gruber/Getty Images

Pressionado por ameaças provenientes dos Estados Unidos e de Israel, o Irã tem utilizado crianças em suas estratégias de defesa. Informações iniciais de organizações humanitárias indicam que menores estão envolvidos em atividades como patrulhas e na operação de postos de controle.

O alistamento de menores representa uma violação grave das normas internacionais, sendo considerado um crime de guerra, uma vez que submete essas crianças à violência. Um exemplo trágico é o caso de Alireza Jafari, que tinha apenas 11 anos e faleceu em março enquanto estava em um posto de controle. Seu pai o levou até lá sob a justificativa da falta de soldados.

A extensão desse fenômeno ainda não está claramente definida. Segundo Bill Van Esveld, diretor de direitos da criança na ONG Human Rights Watch (HRW), a censura e os apagões dificultam investigações sobre o tema. Muitos indivíduos relutam em discutir o assunto por medo de represálias.

Entretanto, há diversas evidências que sustentam a prática do recrutamento infantil. Um dos principais indícios foi um anúncio divulgado pela mídia estatal que reduziu a idade mínima para alistamento na organização Basij, passando de 15 para 12 anos.

Rahim Nadali, comandante de uma das brigadas da área metropolitana de Teerã, fez esse anúncio, afirmando que muitos jovens demonstraram interesse em se juntar às fileiras. A divulgação foi acompanhada por um cartaz de recrutamento que retratava aparentemente um menino ao lado de um homem vestido com uniforme militar.

A Basij, oficialmente conhecida como “organização para a mobilização dos oprimidos”, é vinculada à Guarda Revolucionária e atua como uma força paramilitar composta por voluntários, frequentemente utilizada para reprimir manifestações populares. Além disso, também exerce funções relacionadas à moralidade pública.

Relatos e imagens verificadas por organizações internacionais mostram crianças manuseando armamentos pesados em postos de controle. Uma dessas histórias mencionadas no relatório da Anistia Internacional descreve um menor ofegante que mal conseguia segurar sua arma devido ao seu tamanho.

Esse tipo de recrutamento não é uma novidade no Irã. Durante a década de 1980, o país enviou milhares de crianças para lutar na guerra contra o Iraque. Um caso emblemático é o do jovem Mohammad Hossein Fahmideh, que morreu aos 13 anos ao se jogar sob um tanque e detonar uma granada. Mais recentemente, também surgiram relatos sobre a presença de jovens afegãos enviados pelo Irã para apoiar o regime sírio liderado por Bashar al-Assad.

Além disso, essa questão não se restringe ao Irã; organizações globais têm documentado situações semelhantes em países como Mianmar, Sudão do Sul e República Democrática do Congo.

Para Van Esveld da HRW, não existem justificativas que possam minimizar a gravidade do recrutamento infantil. “As normas internacionais são claras: crianças não podem consentir”, afirma ele. “Com apenas 12 anos, elas compreendem os riscos da morte ou da perda de membros? É evidente que não.”

O Irã é signatário de várias convenções e tratados internacionais que proíbem tanto o recrutamento quanto a utilização direta de menores em conflitos armados, segundo informações do Human Rights Watch.

Nos anúncios voltados ao recrutamento infantil, as chamadas incluem não apenas serviços em unidades militares mas também funções que aparentam ser menos arriscadas, como participar de patrulhas ou cozinhar. Apesar disso, Van Esveld alerta que essas crianças ainda estariam vulneráveis aos frequentes ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel. “Elas deveriam estar na escola e não nesse contexto.”

Entretanto, frequentar a escola não garante proteção às crianças no Irã. No dia 28 de fevereiro, logo no início do conflito, um bombardeio resultou na morte de pelo menos 175 pessoas em uma escola para garotas no país, com investigações apontando os EUA como responsáveis.

A escola estava localizada próxima a uma base da Guarda Revolucionária; no entanto, conforme Van Esveld observa, as imagens obtidas por satélite demonstravam claramente que não era um alvo militar legítimo — havia até um campo de futebol nas proximidades. “Não basta afirmarem agora ter sido um erro; deveriam ter tomado todas as precauções necessárias para evitar tal tragédia.”

A rivalidade entre o Irã e seus aliados também impacta negativamente as crianças em outras regiões. Ataques israelenses resultaram na morte de mais de 20 mil crianças e na destruição de 92% das instituições escolares em Gaza. No Líbano, as ofensivas israelenses forçaram mais de 1 milhão de pessoas a deixar suas residências — entre elas estão cerca de 400 mil menores. A situação das crianças nessa parte do mundo é descrita por Van Esveld como “sombria”.

Receba todas as notícias do Portal Correio no grupo do WhatsApp ou assine o canal do Portal Correio no WhatsApp

O post Irã recruta crianças e amplia frente de violações na guerra apareceu primeiro em Portal Correio – Notícias da Paraíba e do Brasil.

Happy
Happy
0 %
Sad
Sad
0 %
Excited
Excited
0 %
Sleepy
Sleepy
0 %
Angry
Angry
0 %
Surprise
Surprise
0 %