João Pessoa sedia telecirurgia robótica que é exibida no principal congresso global de urologia oncológica

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A Paraíba está se destacando como um polo de telecirurgia robótica na América Latina, ganhando visibilidade internacional. Na última sexta-feira (17), a Unimed João Pessoa, em colaboração com a Edge Medical e o Grupo Bhio Supply, realizou uma telecirurgia inovadora: a primeira prostatectomia radical transmitida ao vivo para o maior congresso mundial de urologia oncológica, realizado no WTC, em São Paulo.

A prostatectomia radical é considerada o tratamento mais eficaz para o câncer de próstata em estágio inicial e envolve a remoção completa do órgão. O paciente, um homem de 56 anos, foi submetido à cirurgia no Hospital Alberto Urquiza Wanderley, utilizando um robô localizado em João Pessoa e consoles conectados em São Paulo, uma distância total de 2.771 quilômetros.

Com duração ligeiramente superior a duas horas, o procedimento foi realizado utilizando uma conexão de internet de baixo custo — similar àquela encontrada em residências — e apresentou um atraso de apenas 53 milissegundos (0,05 segundos). Essa latência foi tão baixa que não interferiu na comunicação entre os cirurgiões localizados nas duas cidades e a execução das manobras robóticas. O paciente está se recuperando bem após a cirurgia.

“Isso representa uma quebra de barreiras e solidifica a telecirurgia como uma nova fase na medicina: a era da cirurgia digital inclusiva”, afirmou Gualter Lisboa Ramalho, presidente da Unimed João Pessoa e diretor da Unimed do Brasil, que fez parte da equipe cirúrgica.

Ele também destacou que o Hospital Alberto Urquiza Wanderley se tornou uma referência nacional em telecirurgia e uma das principais da América Latina. “Já realizamos seis cirurgias inéditas até agora”, acrescentou. O robô utilizado — modelo MP 1000 da Edge Medical — é pioneiro nesta tecnologia dentro do Sistema Unimed e é apenas o segundo instalado no Brasil e nas Américas.

A equipe responsável pela cirurgia urológica incluiu Rafael Mourato, Leandro Tavares e Artur Paludo, com Gualter Ramalho e Larissa Oliveira cuidando da anestesia. O console remoto em São Paulo foi operado pelo cirurgião André Berger. “Foi possível realizar uma cirurgia adequada do ponto de vista oncológico e preservadora; isso significa que o paciente deve manter sua função erétil e continência urinária”, garantiu Berger. A atividade contou com apoio da Edge Medical, Bhio Supply e Sociedade Brasileira de Urologia.

PROCEDIMENTO SEGURO

A prostatectomia radical robótica foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) para inclusão no SUS em agosto do ano passado. Em seguida, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incorporou esse procedimento à lista de coberturas obrigatórias, com início programado para 1º de abril de 2026.

Os principais benefícios associados à cirurgia robótica e à telecirurgia incluem maior precisão durante o procedimento, segurança aprimorada, recuperação acelerada, diminuição da dor pós-operatória, redução no tempo de internação e menor risco de infecções. “A visão tridimensional ampliada combinada com instrumentos articulados possibilita uma dissecação mais precisa, especialmente em áreas anatômicas delicadas. Isso resulta em menos sangramentos durante a operação e melhores índices relacionados à continência urinária e função erétil”, explicou Rafael Mourato.

O cirurgião Artur Paludo enfatizou que essa técnica já é bem estabelecida há mais de vinte anos. “Os benefícios das abordagens minimamente invasivas são amplamente reconhecidos: maior precisão cirúrgica, menos sangramento e dor, além de recuperação mais rápida com resultados funcionais superiores”, afirmou ele.

Leandro Tavares, professor na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sublinhou o impacto dessa inovação tecnológica. “A telecirurgia representa um avanço significativo rumo à inclusão tecnológica, democratizando o acesso à saúde e melhorando os resultados cirúrgicos”, disse ele.

PROTAGONISMO

Em outubro do ano passado, durante a Convenção Nacional Unimed realizada em João Pessoa, ocorreu um marco histórico: a primeira telecirurgia robótica experimental do mundo usando internet acessível — um feito que despertou interesse na comunidade médica global por sua capacidade de aumentar a escalabilidade dessa tecnologia.

Em 19 de março deste ano, no mesmo hospital paraibano, foi realizada a primeira telecirurgia cardíaca robótica nas Américas. No dia seguinte foram realizados dois procedimentos inéditos na América Latina: uma telecirurgia bariátrica e outra ginecológica; nessas operações os pacientes estavam em João Pessoa enquanto os cirurgiões atuavam remotamente a partir Curitiba, localizada mais de 3.200 quilômetros distante.

CONGRESSO INTERNACIONAL

A transmissão ao vivo foi assistida por especialistas internacionais durante o 17º Congresso Internacional de Uro-Oncologia, considerado o principal evento global sobre urologia oncológica que reuniu líderes mundiais do setor. Esse procedimento consolidou João Pessoa como um ponto central nas discussões sobre o futuro das cirurgias digitais dentro desse contexto.

Mais do que simples inovação tecnológica, este evento representa uma transformação paradigmática: abre as portas para levar serviços médicos complexos para qualquer lugar do mundo, superando barreiras geográficas e ampliando o acesso à saúde qualificada.

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